A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou recentemente por uma atualização de nomenclatura internacional, que propõe o termo Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança busca representar melhor que a condição não envolve apenas os ovários, mas também aspectos hormonais, metabólicos e reprodutivos. Como a sigla SOP ainda é amplamente utilizada, inclusive na prática clínica, ela continua sendo reconhecida e será utilizada ao longo deste artigo.
A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva e pode se manifestar de maneiras bastante diferentes. Apesar de frequentemente ser associada à fertilidade, a SOP não significa necessariamente infertilidade e também não determina que a mulher precisará de fertilização in vitro para engravidar.
O que é a SOP?
A SOP é uma condição caracterizada principalmente por alterações na ovulação e pelo hiperandrogenismo, que corresponde ao aumento dos níveis ou dos efeitos dos hormônios androgênicos.
Algumas mulheres apresentam ciclos menstruais irregulares, acne, aumento de pelos ou queda de cabelo. Outras podem ter poucas manifestações clínicas e descobrir a síndrome durante uma investigação de fertilidade.
É importante destacar que o diagnóstico não depende apenas do ultrassom. A presença de ovários com aspecto policístico, isoladamente, não significa que a mulher tenha SOP. O diagnóstico considera a combinação de características clínicas, alterações hormonais e avaliação ultrassonográfica, além da exclusão de outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes.
Por que a SOP pode dificultar a gravidez?
A principal relação entre SOP e dificuldade para engravidar está na ovulação.
Mulheres com SOP podem apresentar ovulação irregular ou até mesmo passar períodos sem ovular. Quando isso acontece, existem menos oportunidades para que ocorra a fecundação.
Mas ter SOP não significa ser infértil.
Muitas mulheres com a síndrome ovulam espontaneamente e conseguem engravidar sem tratamentos. Por isso, quando uma paciente com SOP deseja engravidar, é importante avaliar individualmente se existe alteração da ovulação e se há outros fatores envolvidos.
A idade, a reserva ovariana, as condições das tubas uterinas, a presença de endometriose e os fatores relacionados ao sêmen do parceiro, por exemplo, também podem interferir na fertilidade.
Tenho SOP. Preciso de tratamento para engravidar?
Não necessariamente.
Quando a mulher com SOP apresenta ovulação regular e não existem outros fatores associados à infertilidade, pode ser possível tentar a gravidez naturalmente.
Em alguns casos, o acompanhamento pode ajudar a identificar o período fértil e orientar o casal sobre o melhor momento para as relações sexuais. Quando a ovulação é irregular ou não acontece, pode ser indicada a indução da ovulação.
A escolha depende da idade da mulher, do tempo de tentativa, da frequência da ovulação e dos resultados da investigação do casal.
O que é a indução da ovulação?
A indução da ovulação é uma estratégia utilizada para estimular o desenvolvimento de um folículo e favorecer a ocorrência da ovulação.
Para mulheres com infertilidade associada à SOP e sem outros fatores de infertilidade, o letrozol é considerado a primeira opção farmacológica nas recomendações internacionais atuais.
O tratamento pode ser acompanhado por ultrassonografias para observar o desenvolvimento dos folículos e identificar o momento mais adequado para a ovulação.
Dependendo das características do casal, a indução pode ser associada a relações sexuais programadas ou à inseminação intrauterina.
E quando entra a inseminação artificial?
A inseminação intrauterina, também chamada de inseminação artificial, é uma técnica de reprodução assistida em que os espermatozoides são preparados em laboratório e colocados diretamente no útero próximo ao momento da ovulação.
Ela pode ser considerada em situações específicas, inclusive em alguns casos de infertilidade relacionados à alteração da ovulação.
A decisão entre tentar naturalmente, realizar coito programado, fazer indução da ovulação ou partir para a inseminação depende das características de cada casal. Não existe uma sequência obrigatória que precise ser seguida por todas as mulheres com SOP.
E quando a FIV pode ser indicada?
A fertilização in vitro pode ser considerada quando existem outras causas de infertilidade, quando tratamentos anteriores não foram suficientes ou quando as características do casal indicam que essa estratégia pode oferecer melhores condições para a gravidez.
Uma mulher com SOP, por exemplo, pode apresentar também alterações nas tubas uterinas ou um fator masculino importante. Nesses casos, a FIV pode ser indicada em razão desses fatores, e não simplesmente pelo diagnóstico de SOP.
Quando a única alteração é a ausência de ovulação relacionada à SOP, sem outros fatores de infertilidade, geralmente são consideradas inicialmente estratégias de indução da ovulação.
Por que a idade também importa?
A idade é um dos fatores mais importantes no planejamento reprodutivo.
Uma mulher mais jovem com SOP e dificuldade para ovular pode ter uma realidade bastante diferente de uma mulher com a mesma síndrome que está tentando engravidar em uma idade mais avançada.
Isso acontece porque, além da ovulação, a idade está relacionada principalmente à qualidade dos óvulos.
Por isso, o planejamento da gravidez não deve considerar apenas a presença da SOP. É necessário avaliar o cenário reprodutivo completo.
SOP não é apenas uma questão de fertilidade
A síndrome também pode estar associada a alterações metabólicas, como resistência à insulina, alterações da glicemia e maior risco de diabetes tipo 2.
Além disso, algumas mulheres apresentam acne, aumento de pelos, queda de cabelo e outras manifestações relacionadas ao excesso de andrógenos.
O acompanhamento, portanto, não deve se limitar à questão reprodutiva. A saúde metabólica, hormonal e a qualidade de vida também precisam fazer parte do cuidado.
No ABC Paulista, o planejamento da fertilidade pode começar antes da reprodução assistida
No ABC Paulista e na Grande São Paulo, o planejamento reprodutivo pode começar muito antes de uma indicação de fertilização in vitro.
O Dr. Fernando Boldrin, ginecologista e obstetra com atuação em reprodução humana assistida, acompanha mulheres que desejam engravidar desde a orientação para tentativas naturais e identificação do período fértil até estratégias como coito programado, indução da ovulação, inseminação intrauterina e fertilização in vitro, quando indicadas.
Isso é importante porque reprodução assistida não significa necessariamente FIV. Existem diferentes possibilidades de tratamento, e a escolha depende da idade, da causa da dificuldade para engravidar e das características de cada casal.
O diagnóstico não define sozinho o caminho até a gravidez
Ter SOP não significa necessariamente ter infertilidade e também não significa que a mulher precisará de FIV.
Algumas mulheres conseguem engravidar naturalmente. Outras podem precisar de acompanhamento da ovulação ou de indução. Em determinadas situações, a inseminação intrauterina pode ser indicada. Em outras, a fertilização in vitro pode ser a estratégia mais adequada.
O diagnóstico é apenas uma parte da avaliação. O planejamento deve considerar a idade, o padrão de ovulação, o tempo de tentativa, a reserva ovariana, as condições do útero e das tubas e os fatores relacionados ao parceiro.
Por isso, o tratamento deve ser individualizado, buscando a estratégia mais adequada para cada mulher e para cada casal.
Referências bibliográficas
- TEEDE, H. J. et al. International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome 2023. Monash University, 2023.
- TEEDE, H. J. et al.; International PCOS Network. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Fertility and Sterility, 2023.
- AMERICAN SOCIETY FOR REPRODUCTIVE MEDICINE (ASRM). Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. Atualização da nomenclatura em 2026.
- MONASH CENTRE FOR HEALTH RESEARCH AND IMPLEMENTATION. PCOS/PMOS Guideline. Monash University. Atualizado em 2026.